• Faz Escuro Mas Eu Canto

    Faz escuro, mas eu canto
    por que amanhã vai chegar.
    Vem ver comigo companheiro,
    vai ser lindo, a cor do mundo mudar.
    Vale a pena não dormir para esperar,
    porque amanhã vai chegar.
    Já é madrugada vem o sol quero alegria.
    Que é para esquecer o que eu sofria.
    Quem sofre fica acordado
    defendendo o coração.
    Vem comigo multidão,
    trabalhar pela alegria.
    Que amanhã é outro dia,
    que amanhã é outro dia.

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Quem foi Umberto Albuquerque Câmara Neto?

“Não Haverá Paz, Enquanto Existir Exploração!” [Texto Parcial]*

Por Luiz Alves –  11 de Dez de 2003

Nasceu em Campina Grande (PB) no dia 28 de maio de 1947, mas foi no Recife, que se deu sua atuação no Movimento Estudantil, como aluno do curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco–UFPE.

Foi na luta dos “excedentes”, em 1967, que Umberto se destacou, de início. Apesar de estar regularmente matriculado, ficou com aqueles que obtiveram a nota exigida para aprovação, mas não puderam ingressar na universidade, por falta de vagas.

Em fins desse mesmo ano, já encabeçava a chapa (apoiada pela Ação Popular-AP) para a diretoria da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), tendo Marcelo Santa Cruz (atualmente vereador em Olinda, pelo PT), como Vice-presidente.  Perdeu para a chapa apoiada pelo PCBR, que tinha na cabeça Cândido Pinto (viria a ser metralhado no ano seguinte pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), tendo ficado paraplégico).

A Carta Política da chapa de Umberto analisava a ascensão do Movimento Estudantil no país e apresentava um programa com um tópico específico, no qual priorizava a luta pela melhoria no ensino e a participação dos estudantes na gestão da universidade, e um geral, em que se destacava a luta contra a ditadura e a dominação imperialista.

“O Ano Que Não Terminou!”

O Movimento Estudantil conseguiu reerguer-se da desestruturação imposta pelo golpe de Estado de 1964, e em 1967 retornam as mobilizações de massa contra os acordos MEC-Usaid que tinham como finalidade a privatização das universidades públicas e o ajuste do ensino superior às necessidades dos monopólios capitalistas.

As mobilizações se sucediam nos grandes centros urbanos brasileiros. No Recife, estudantes queimaram um carro do Consulado estadunidense num protesto contra os acordos MEC/Usaid e a guerra imperialista contra o Vietnã. “A gente não tinha medo. E se tinha, enfrentava”, diz o professor Lurildo Saraiva (leciona Cardiologia na Faculdade de Medicina da UFPE), então tesoureiro do Diretório Acadêmico (DA) de Medicina, a quem Umberto logo procurou ao ingressar na Faculdade.

Foi com esse destemor, já em 1968, que 60 estudantes de Medicina, liderados por Umberto Câmara Neto, Marcos Aguiar e Alírio Guerra, ocuparam a Reitoria e mantiveram prisioneiro o reitor Murilo Guimarães. A palavra de ordem: “Mais hospitais e menos canhões.” Quando o reitor perguntou o que deveria fazer para ser solto, prontamente ouviu: “providenciar que o Governo edite decreto liberando verbas para conclusão das obras do Hospital das Clínicas. Decreto assinado, liberdade garantida”. O Governador Nilo Coelho foi dialogar com as lideranças estudantis. Propôs que soltassem o reitor e no dia seguinte, em assembléia estudantil, ele anunciaria medidas em vista da conclusão do hospital”. Enquanto os estudantes debatiam, com uns  argumentando a favor e outros contra, o governador interveio: “Se não aceitam a proposta, o IV Exército vai invadir o prédio e as consequências serão imprevisíveis”. Diante disso houve o recuo e negociou-se a retirada. No dia seguinte, perante a massa estudantil, o Governador do Estado anunciava a continuidade das obras do Hospital das Clínicas. Foi uma vitória do Movimento Estudantil da Federal.

Trinta Mil no Recife

As mobilizações se multiplicaram nas grandes cidades brasileiras. A do Recife, nada ficou a dever à do Rio de Janeiro, pois juntou 30 mil pessoas, portando as mesmas bandeiras: libertação de estudantes presos, melhoria do ensino e participação dos estudantes na gestão das universidades, não aos acordos MEC-Usaid e fim da ditadura. Na passeata, foi marcante a participação de Umberto Câmara Neto. “Ele falava muito bem nas manifestações de massa, era um aglutinador. Convincente, amável no trato com as pessoas. Tinha uma sequidão impressionante por Justiça. Tinha muitos amigos e todos os respeitavam, independentemente da posição política a que pertenciam. Até pessoas de direita admiravam Umberto”, testemunha o professor Lurildo Saraiva. “Era muito estudioso, especialmente do marxismo-leninismo e conhecia profundamente a Revolução Chinesa”, completa Marcelo Santa Cruz.

Ambos informam que Umberto era um excelente crítico de cinema e também escrevia crítica literária, inclusive, publicando artigos no Diário de Pernambuco e no Jornal do Commercio. Gostava de jogar xadrez e acompanhava com interesse o futebol.

Na clandestinidade

Pouco tempo depois do enterro do padre Henrique, começaram as expulsões na Universidade Federal de Pernambuco, com base no decreto 477, o AI-5 dos estudantes, por pressão do Comando do IV Exército. Na Faculdade de Medicina, chegou uma lista de 47, mas o Conselho Universitário resistiu Acabou cedendo quanto às lideranças principais, entre as quais, naturalmente, Umberto Câmara Neto, Marcos Aguiar e Alírio Guerra (os três que comandaram a prisão do reitor).

Para continuar na luta, não havia outra saída, senão a clandestinidade, mesmo tendo que romper com a família. “Se continuar nisso, deixa de ser meu filho”, disse-lhe o pai. Umberto não relutou e ingressou na vida clandestina, tendo se dedicado ao aprofundamento teórico, à produção de textos e à formação de quadros da sua organização, a Ação Popular. Na luta clandestina, a base de atuação de Umberto passou a ser São Paulo, com deslocamentos periódicos a outros locais em que a organização tinha militantes.

Vítima da traição

1973. Umberto viera ao Recife e no retorno, encontrou-se, por acaso no mesmo ônibus, com José Carlos Mata Machado.  Marcaram encontro no Rio de Janeiro.

Umberto hospedou-se na casa de Marcelo Santa Cruz (Rua Pinheiro Machado, Laranjeiras). Pernoitou e no dia seguinte disse que iria a um encontro rápido e ainda voltaria para o almoço. Deixou os discos desarrumados, sob os protestos da empregada, mas garantiu que logo chegaria e poria tudo em seu devido lugar. Nunca mais voltou. Era o dia 8 de outubro de 1973, aniversário da morte de Che Guevara.

O que aconteceu, não precisa de testemunhas, pois já está por demais comprovado. Sequestro. Torturas indescritíveis, morte. Assassinato frio nos porões da ditadura militar. Que Umberto resistiu e não delatou ninguém, prova o fato de que a repressão nunca procurou a casa de Marcelo, onde ele se hospedara, nem a casa de Roberto Freire (o psiquiatra, autor de Sem Tesão, Não Há Solução), sua base de apoio em São Paulo.

Umberto foi, sim, vítima de delação. Não só ele, mas todos os dirigentes principais da APML. O delator: Gilberto Prata, militante, cunhado de José Carlos Mata Machado (assassinado no dia 28 de outubro de 1973). Ele próprio, em 1988, confessou o crime à sua irmã, Madalena.

Além do exemplo, Umberto Câmara Neto deixou sua contribuição teórica. De um texto, escrito quando ainda era aluno do curso de Medicina da UFPE, intitulado O Que É Imperialismo, destacamos um trecho, muito atual para reflexão, quando as pessoas estão clamando por paz:  “… É em vão, portanto, todos os esforços para se estabelecer a paz numa sociedade de classes, no mundo imperialista, mormente quando as democracias burguesas já foram desmistificadas e denunciadas como sendo ditaduras de classe…Não pode existir paz enquanto persistir a exploração”.

* Para ler o texto completo acesse: http://br.groups.yahoo.com/group/minduca/messages/1895?threaded=1&m=e&var=1&tidx=1

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Uma resposta

  1. Amigos:

    Segundo me consta, inclusive na declaração oficial em jornais sobre a nossa inclusão nos cassáveis da FMUFPE – sigla que deveria ser restaurada- o nome de Humberto é escrito com H inicial. Assim aprendemos. Seria bom tentar resgatar a veracidade de tudo isto em homenagem e respeito a esse herói da luta pungente que travamos contra a ditadura civil-militar de 1964 .
    Um abraço afetuoso em todos vocês,
    Lurildo Saraiva

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